quarta-feira, 26 de março de 2008

POPEYE: ONDE ESTÃO OS U$ 3 MILHÕES?
Atualizado em 25 de março de 2008 às 02:54 Publicado em 24 de março de 2008 às 20:06
Para não ser extraditado para os Estados Unidos, Pablo Escobar fez um acordo com o governo da Colômbia. Aceitou se entregar, desde que a prisão dele fosse construída numa colina com vista para Medellin. A colina é a que aparece na foto acima, que fiz em Medellin.Do alto, Escobar queria vigiar os movimentos de seus inimigos. Os guardas penitenciários ele mesmo pôde selecionar.Pablo era inteligente, ousado, ambicioso e vingativo. Um bandido que usou todas as armas para enfrentar um estado apodrecido. O chefão do cartel de Medellín peitou com sucesso as instituições da Colômbia. Só foi morto por causa da intervenção americana.Os americanos usaram contra Escobar e seu bando as mesmas armas que o chefão usou contra seus inimigos. O cartel de Medellín lutou ao mesmo tempo contra o governo e contra traficantes rivais, do cartel de Cali. Escobar fundou um grupo que batizou de Os Extraditáveis, em nome dos quais liderava o combate à extradição de colombianos para os Estados Unidos.O que ele mais temia era morrer apodrecendo numa cadeia americana. Militares e policiais colombianos se reuniram em torno de Los Pepes, grupo armado que dizia agir em defesa dos perseguidos por Pablo Escobar.Escobar mandava matar familiares e aliados dos traficantes rivais, além de policiais, juízes, ministros de Estado e políticos colombianos. Los Pepes formavam um esquadrão da morte com apoio semi-oficial. Recebiam informações de forma indireta dos serviços de espionagem dos Estados Unidos.Foi assim que mataram muitos aliados de Escobar e levaram o terror aos familiares do chefão de Medellín. Pablo Escobar foi tão poderoso que comprou votos na assembléia constituinte colombiana que bloqueou a extradição. Fortalecido, ditou os termos de sua rendição. O governo construiu a penitenciária em terreno de Pablo Escobar.O exército patrulhava do lado de fora. Assim, ele continuou comandando o tráfico, sob proteção do Estado. Temendo um ataque pelo ar, Pablo Escobar mandou construir no presídio um abrigo anti-aéreo. Comida, bebida e mulheres entravam no caminhão que abastecia a prisão - eram três viagens por dia.Para as grandes despesas, Escobar tinha 3 milhões de dólares em dinheiro güardados em um móvel. Também havia uma caixinha de cerca de 300 mil dólares para as pequenas despesas - comprar um policial aqui, pagar um assassino de aluguel ali.Pablo Escobar tinha um plano de fuga pronto para ser usado a qualquer momento. Uma saída secreta que havia mandado construir. Quando sentiu que seria morto, escapou. Foi perseguido e finalmente morto em Medellín, em 1993.Jhon Jairo Velásquez Vásquez, o Popeye, era assessor de Pablo. Ficou preso com o chefão na Catedral, como ficou conhecida a prisão construída para Escobar. Popeye passou a colaborar com as autoridades, teve a pena reduzida mas cumpre ainda cumpre pena. Cheguei a Popeye através do editor do livro que o bandido lançou na Colômbia. De dentro da cadeia, usando os telefones públicos que ficam à disposição dos presos, Popeye ligou várias vezes para o hotel em que eu estava hospedado, em Bogotá.Fizemos uma entrevista por telefone. Popeye falou do mistério que permanece até hoje em Medellín, mais de uma década após a morte de Pablo Escobar. Onde foram parar os U$ 3 milhões de Pablo Escobar? Popeye acredita que as forças do exército que invadiram a prisão, pouco depois da fuga de Escobar, embolsaram o dinheiro.A notícia de que havia um tesouro escondido na Catedral, como era conhecida a penitenciária, correu o país. Quando o exército desocupou o lugar, moradores da cidade correram até lá. Invadiram as instalações e derrubaram as paredes em busca do tesouro. Nada encontraram. Hoje a construção está abandonada.
Esta é outra relíquia dos tempos da fortuna do narcotráfico em Medellin. Um prédio confiscado pela polícia, que estava em construção com dinheiro sujo.
Segundo nosso guia em Medellín, a família de Pablo Escobar preservou boa parte dos bens. Os filhos dos bandidos freqüentaram as melhores escolas dos Estados Unidos e Europa. Muitos abandonaram o crime, outros não.Os que continuam no narcotráfico se tornaram homens de negócio. Empresários modernos, que comandam suas empresas de transporte de cocaína armados com laptops e conectados pela internet. Pablo Escobar morreu, mas a Colômbia continua sendo a maior produtora mundial de cocaína; e os Estados Unidos, o maior mercado consumidor.Publicado originalmente em 2006

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